quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Fatos (sur)reais


A história abaixo é baseada em fatos (sur)reais:

Cuca atendeu ao telefone pela manhã e recebeu o convite da trupe do Fluminense:

- Cuca, sabemos que sua saída do Fluminense em 2008 não foi muito amigável. Pior ainda foi sua passagem pelo Flamengo, mesmo tendo conquistado o único título de sua carreira. Mas nós demitimos o Renato Gaúcho e o vemos, num consenso, como melhor opção no mercado. Oferecemos X.

Ao perceber que a diretoria está encurralada e sem opções diante das recusas de quem preza pelo futuro de sua carreira, Cuca entra em acordo e fecha sua segunda passagem pelo Tricolor em praticamente um ano. Mesmo com um passado recente para lá de polêmico na Gávea, além de ter declarado outrora não trabalhar com a mesma trupe que a cada dia reinventa um significado do “inacreditável”.

O fato não é restrito ao novo treinador. O antecessor, Renato Gaúcho, passou por quatro vezes pelas Laranjeiras desde 2003. Inacreditável por si só.

Não satisfeito, o vice-presidente de futebol, Tote Menezes, declara pensar na possibilidade de antecipar as férias caso o time seja mesmo rebaixado. Esforço, pelo visto, não tem faltado para tal.

O Fluminense ocupa a lanterna do Campeonato Brasileiro, com campanha pior do que a do Santa Cruz em 2006, que somou irrisórios 28 pontos ao fim da competição. Fez, ao longo do ano, quase 30 contratações, e dispensou/recontratou quatro comissões técnicas e dirigentes de caráter contestáveis. Em sua maioria, escolhas precipitadas que rendem ao clube salários fora da realidade e multas elevadíssimas em casos de rescisão.

Hoje, no mundo, não há quem não possa reclamar de amadorismo. A palavra também se atende por Fluminense.

sábado, 29 de agosto de 2009

Sábado recheado


Criei o hábito de toda sexta-feira separar parte do meu dia e planejar o fim de semana em frente à TV. Torço, obviamente, para que os melhores jogos estejam longe das manhãs que me causam mau humor. Mas meu sono foi abençoado neste sábado e acabei premiado com dois grandiosos clássicos.

O primeiro, Manchester United 2 x 1 Arsenal, não fugiu muito à regra. Futebol veloz, dinâmico, e um jogo que não parava. Mesmo em Old Trafford e sem Fabregas, os Gunners criaram as melhores oportunidades e até mereciam um resultado melhor não fosse o azar de Diaby. O que comprova que os Red Devils estão ainda alguns patamares abaixo – em matéria de futebol e elenco – do time tricampeão inglês. Não viu nada? Clique aqui.

O segundo e último, Internazionale 4 x 0 Milan, goleada impiedosa de um time que mostrou estar pronto para os desafios em um outro dependente dos lampejos de um jogador difícil de depositar esperanças. Se Sneijder pegou a camisa 10 e teve atuação brilhante junto a Diego Milito, Ronaldinho continuou reclamando muito e fazendo pouco. Triste como os Rossoneri, em lento processo de renovação. Leonardo entrou numa barca furada, e pelo visto Thiago Silva também. Haja gols de Pato, o melhor rubro-negro em campo, para que consigam uma mísera vaga na Liga dos Campeões. Muito pouco para o gigante que é o Milan.

É cedo para avaliar? Talvez, mas não há dinheiro que caia do céu para cobrir tantas apostas erradas. Quem ri à toa é José Mourinho, com toda a justiça. Clique aqui para ver o massacre.

Ah, graças ao capitalismo da SKY, não pude assistir Real Madrid 3 x 2 Deportivo La Coruña, com boa atuação de Kaká. Acredito que os merengues se encontrem, mas o favorito sempre foi e ainda é o Barcelona.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

É a Liga das Estrelas?


Fazia tempo que o La Liga não criava tamanha expectativa como agora. Isso porque os dois últimos vencedores do ‘Melhor Jogador do Mundo da FIFA’ – e até o futuro ganhador do prêmio – participam do campeonato. As meteóricas contratações também fazem parte da mesma liga. Tudo leva a crer que de fato, o Campeonato Espanhol recuperou o prestígio de ‘A Liga das Estrelas’.

Estrelas porque só o Barcelona e o Real Madrid chutaram a crise mundial para escanteio e juntos gastaram 358 milhões de euros. Cifras que contrastam com o mercado atual e com o restante das 18 equipes que compõem o campeonato.

Talvez esta seja a maior crítica, porque Real e Barça monopolizaram e criaram um campeonato bipolar. No mercado de apostas, a cotação dos merengues e dos culés está em disparada. É até estranho, mas Sevilla, Atlético, Valencia e Villarreal são ‘apenas’ candidatos a Champions, porém prontos para incomodar os ‘grandes favoritos’.

O Sr. dos Títulos da temporada está preparado para continuar no reinado. O troca-troca entre Eto’o e Ibrahimovic parece fazer bem aos catalães. No quesito técnica e bola na rede, creio que o sueco cairá como luva nesse ataque fulminante, junto com Messi e Henry. A posição mais carente foi bem reforçada, não há como negar que a contratação de Maxwell foi certeira. Outro ponto em destaque é a zaga, com a chegada do ucraniano Chygrynskiy. Além do retorno de Henrique, que estava emprestado ao Bayer Leverkusen. A ausência desta temporada (se é que podemos dizer), é a saída de Hleb para o Stuttgart, pouco aproveitado - até porque com Xavi e Iniesta de titulares, seria difícil encontrar espaço.

Realizar o sonho de todo torcedor. A política adotada por Florentino Perez foi causar impacto na concorrência. Por isso, reformulação total. O esquadrão holandês de outras temporadas cedeu espaço a uma nova constelação. Sneijder (Inter de Milão), Huntelaar (Milan) e Robben (Bayern) deixaram o clube pela porta dos fundos, enquanto que pelo tapete vermelho, Kaká, Benzema e Cristiano Ronaldo chegaram com outro status. Porém, só para deixar o torcedor - aquele nacionalista - mais satisfeito, Florentino atendeu o pedido. Mais espanhóis no time. Xabi Alonso, Arbeloa e Albiol chegaram para finalmente acabar com a peneira que era a zaga merengue. No comando, o competente Manuel Pellegrini deverá ter jogo de cintura para chefiar a tropa estrelar.

Sem contar com Real e Barça, o Sevilla foi a equipe que mais gastou no mercado. Dezessete milhões de euros para contratar o atacante Álvaro Negredo - revelação da temporada passada, ao atuar no Almería -, que não teria espaço no Real Madrid neste ano. Florentino que não é bobo, ao perceber o potencial dele, terá opção de compra nos primeiros dois anos de contrato. Luis Fabiano e Kanouté que se cuidem, pois Negredo é candidato a roubar o posto de titular.

O ponto chave do Atlético de Madrid foi a continuação da dupla Aguero-Forlán. Se quiser buscar vôos mais altos, sem dúvida nenhuma essa foi a melhor opção. Não podemos esquecer da contratação do herdeiro de Casillas na Seleção Espanhola. Sergio Asenjo, que salvou o Valladolid do rebaixamento, é o camisa 1 absoluto, até porque Coupet e Leo Franco foram vendidos. Outra boa contratação é a chegada a custo zero do experiente zagueiro Juanito, ex-Bétis.

O Valencia adotou a mesma estratégia do Atlético. Apesar do assédio de outros clubes, David Silva e David Villa ficaram. Porém, o cofre do Valencia precisa ser abastecido. Por conta disso, dez jogadores vendidos e cinco cedidos. Destaques para o goleiro Renan (cedido ao Xerez); Morientes (vendido ao Olympique); e ao já citado Albiol (vendido ao Real Madrid).

Por último, o Villarreal, que na temporada passada teve o ataque como ponto fraco, reforçou-se com o talentoso Nilmar. Os jogadores da Seleção da Fúria, Santi Cazorla e Marcos Senna, seguem na equipe. Não podemos esquecer do Espanyol, ao apostar no japonês Nakamura, ex-Celtic.

O La Liga 09/10 está pronto para começar! No sábado destaque para os jogos de Deportivo x Real Madrid, às 15h. No domingo, Atlético x Málaga, às 12h e Sevilla x Valencia, às 14h. Na segunda, Sporting x Barcelona, às 17h. Agora, nos dias 28 de novembro e 10 de abril marque na agenda que você terá compromisso. Prepare-se, pois será dia de clássico. O primeiro jogo será no Camp Nou e o seguinte, no Santiago Bernabéu.

Bom Campeonato Espanhol para todos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Que venha a Champions!


Até quem não entende nada de futebol, ficou empolgado com o sorteio da fase de grupos da Champions League. Logo na primeira rodada, Inter de Milão x Barcelona. Quem apostou nesta hipótese, corra porque a Mega-Sena espera por você. Eto’o x Barça. Ibrahimovic x Inter.

Falando em confronto de ex-equipes, quem apostaria que Real Madrid e Milan caíssem no mesmo grupo? Por isso que até a minha mãe (uma negação em futebol) ficou contente com o sorteio, tão inesperado. Por causa dessas duas ‘sortes’ (para nós, é claro!), o Grupo C e o F são considerados a pedra no sapato.

Grupo C: Milan, Real Madrid, Olympique de Marselha e Zurich. Não se espante, caso Leonardo fique de fora da próxima fase. Com esse futebol, até agora apresentado, é bem capaz de essa previsão ser concretizada. Real Madrid e Olympique avançam.

Grupo F: Barcelona, Inter de Milão, Dínamo de Kiev e Rubin Kazan. Os ex-soviéticos virão com tudo atrás de uma vaguinha. Quem avisa amigo é, Barça e Inter que se cuidem.

Não pense que só apenas os grupos citados acima estão equilibrados, pois repare só no Grupo A - Bayern de Munique, Juventus, Bordeaux e Maccabi Haifa. A equipe israelita é carta fora. Entretanto, qual dos três você arriscaria que não passa de fase? Pensou? Ainda tem tempo? Sim, eu também escolheria o Bayern, que há muito tempo não incomoda mais.

Também é complicado definir os classificados do Grupo E. Liverpool é certo de ir, Debrecen (quem?) é certo de voltar para casa. Agora, entre Lyon e Fiorentina, sou mais a equipe de Lucho González.

A partir de agora, é só baba. Os torcedores do Arsenal estão até agora agradecendo o presente do grupo H. Até porque, dividir grupo com AZ Alkmaar, Olympiacos e Standard de Liege é brincadeira. Dos três, o clube holandês é o candidato para subir de nível.

A outra torcida inglesa que ri à toa é o Chelsea. No grupo D, os Blues estão garantidos, porém a outra vaga será uma briga acirrada. Atlético de Madrid ou Porto? Difícil definir o vencedor! Só voto nos colchoneros, por causa da dupla Aguero-Forlán. O APOEL Nicósia completa a figuração.

Quem também fará papel de figurantes será o Sevilla, além do Stuttgart. Até porque os dois times já estão classificados, nem precisam jogar. O motivo é porque Rangers e Unirea Urziceni completam a tabela do grupo G.

Falta pouco para o pontapé. Vale lembrar que nos dias 15 e 16 de setembro será disputada a primeira rodada da competição. Estamos no aguardo, estamos à espera de muito futebol e de partidas memoráveis.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Abaixo aos estaduais


Início de janeiro. Ainda em volta com contratações, os principais clubes do país reapresentam seus respectivos elencos incompletos e viajam para uma pré-temporada de no máximo 15 dias. Precoce. Mal estão de volta e já se veem com os campeonatos estaduais ocupando os domingos e quartas-feiras praticamente até maio, quando começa de fato o ano no futebol brasileiro. O mata-mata da Libertadores coincide com o afunilamento da Copa do Brasil e início do Brasileirão. Craques cada vez mais rareados ainda em território nacional, bons jogos, e muita emoção: é o ápice.

Depois, jogos em demasia do Campeonato Brasileiro, que vai perdendo sua “magia” e empolgação até chegar a Copa Sul-Americana, quando, na maioria das vezes, os clubes preferem colocá-la como segundo plano. Para, em dezembro, “comemorarem” uma das oito vagas que a competição internacional fornece. Um ciclo vicioso que não traz benefício algum.

Muito se fala de transferências para o exterior – como se fosse reversível diante do atual panorama financeiro –, mas a falta de espaço tem sido um dos maiores problemas do calendário atual. E o debate em torno da adaptação à Europa não deveria ser neste sentido.

São poucos os países que adotam a liga entre agosto e maio: Inglaterra, Espanha, Itália, França, Alemanha, Portugal, Holanda... E para onde vão nossos jogadores? Para a Ásia. Ao menos a imensa maioria deles. No caso das exceções, como Nilmar indo para o Villarreal, a saída é inevitável. Não há nem o que lamentar, visto a desigualdade que vai além do futebol. Em outros casos, boa parcela de “culpa” vai para a Lei Pelé, que obriga o clube a esconder uma grande promessa até que possa fazer um contrato duradouro e milionário. Estas ligas representam atualmente cerca de 13% das transferências para o exterior.

Na liga da Rússia, que conta com Ibson, Alex, Rafael Carioca, Wagner, Welliton e outros tantos brasileiros, o campeonato começa em março, com fim em novembro. Lá se respeita o rigoroso inverno, assim como o fazem com o verão nos países mais tropicais. No entanto, o Arquibaldos não é a favor de uma mudança radical no calendário. E, sim, de algumas adaptações cruciais.

O que fazer, então? Para quê tantas datas? As TVs não sobrevivem alguns fins de semana sem futebol? Há necessidade de 87 datas no futebol brasileiro? Qual a função dos estaduais? Iludir times mal-preparados? Nos tornaremos obsoletos pela manutenção da “tradição”? Algumas sugestões abaixo:

MESES

Janeiro: férias e pré-temporada
Fevereiro: fim da pré temporada, Recopas Sul-Americana e Brasileira, e primeiras fases da Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil
Março até Setembro: Libertadores, Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileirão
Outubro: final da Copa do Brasil e Libertadores, Sul-Americana e Brasileirão
Novembro: finais de Libertadores e Sul-Americana e reta final de Brasileirão
Dezembro: final do Brasileirão, Mundial FIFA e férias

OBS: não haverá jogos em quaisquer datas FIFA.

CAMPEONATOS

Taça Libertadores: com uma fase pré, com os oito últimos classificados. No total, 40 clubes (32 para a fase de grupos)
Copa Sul-Americana: idêntico a Libertadores, mas com clubes diferentes. É importante para valorizar a competição, incluindo um número menor de vagas para os brasileiros.
Copa do Brasil: 256 clubes, aumentando em duas fases e dando direito a imensa maioria dos clubes profissionais a jogar. Inclusive os que disputam a Libertadores e Sul-Americana
Campeonato Brasileiro: 38 datas e 20 clubes, com jogos quase somente nos fins de semana
Mundial FIFA: O atual é ideal, com duas datas para os europeus e sul-americanos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Boa sorte, Leonardo (vai precisar)

Nosso querido Leonardo, ex-jogador que brilhou, principalmente, por Flamengo, São Paulo e Milan, aceitou o convite de ser o treinador do Rubro-negro italiano nesta temporada. Emprego dos sonhos? Talvez, de cara, dê para dizer que sim. Comandar um gigante da Itália e ter reais chances de conquistar um título de peso no Velho Mundo. Mas não é bem assim...

Essas últimas afirmativas podem ser feitas pela história do clube, e só. Com o atual elenco, não dá para acreditar em muita coisa. Campeonato Italiano? Juventus e Inter estão alguns passos adiante. Champions League? Os fãs do time que me desculpem a sinceridade, mas é melhor cair para a Copa da Uefa e tentar uma sorte melhor na ‘Sul-Americana’ da Europa – posso queimar a língua, mas não acredito que o troféu vá para algum lugar diferente da Espanha ou Inglaterra. Copa da Itália? Nas últimas temporadas, o Milan não tem dado a mínima para o torneio, e não creio que na atual será diferente.

Talvez essas certezas possam parecer um pouco dramáticas demais, mas vamos analisar o elenco, e usar o time-base (em negrito) que Victor Canedo colocou no post sobre o Calcio.

Goleiros: Abbiatti, Dida, Storari e Flavio Roma – Todos seriam bons reservas para o Rubro-negro, e só. Que o brasileiro me perdoe, mas falta AQUELE camisa 1.

Defensores: Zambrotta, Nesta, Thiago Silva, Jankulovski, Kaladze, Onyewu, Favalli, Bonera, Oddo e Antonini – a mescla Thiago Silva e Nesta tem tudo para dar certo. Os reservas (tirando Oddo e Antonini) jogam na ala e no meio do zaga, e como zagueiros são boas opções. Agora, as laterais... Zambrotta e Jankulovski já tiveram o auge da carreira e hoje não rendem tanto. Os suplentes não inspiram confiança. Se os titulares já não são ‘aquela coisa’, não dá para confiar tal setor do Milan aos pés de Oddo, Favalli, Kaladze, Antonini...

Meio campo: Gattuso, Pirlo, Seedorf, Ronaldinho, Cardacio, Flamini, Abate e Ambrosini – Os titulares são bons. Aliás, acredito que uma das últimas chances do meia brasileiro voltar a jogar bem é com Leonardo, mas todos sabem que ele não será o mesmo de 2003, 2004 e 2005. Ambrosini é o primeiro reserva; se qualquer um dos titulares sair (lesão, suspensão...), a vaga é dele. O loiro experiente até vai, mas depender de Flamini, Abate e Cardacio para grandes jogos, não sei não...

Atacantes: Pato, Huntelaar, Inzaghi, Borriello, Tabaré, Gianmarco, Di Gennaro – Os quatro primeiros são bons, apesar de eu achar que falta um centroavante com mais nome para jogar ao lado de Pato. Mas, O.K., o holandês pode dar conta do recado de matador. Borriello é um bom nome para se ter no banco, e Inzaghi também, mas este tem que ficar menos em impedimento e perceber que não é mais o Pippo de outrora. Os outros são apenas jogadores de emergência.

Acho que para o Milan e Leonardo terem uma boa temporada ainda faltam algumas coisas – peças. Goleiro, lateral-direito, lateral-esquerdo, volante e meia. Pedindo demais? Talvez... Mas para o Rubro-negro ser grande, precisa pensar na mesma proporção, e não foi o que a diretoria, a princípio, planejou para 2009/2010. Kaká já passou e Maldini também (este até depois da hora).

Leo tem o respeito e a admiração que um ídolo merece da torcida e do clube e tem tudo para dar certo nesta nova função. Apesar da boa estreia (2 a 1 sobre o Siena, com belas atuações de Pato e Ronaldinho), vale lembrar que ele não é mágico e nem milagreiro. Mas... Tomara que ele contrarie todas as ideias que este chato escreve, e mude a rotina de treinadores brasileiros em grandes clubes da Europa. Apoio não vai faltar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

E lá vem o Calcio...


Permitam-me a analogia, mas o Campeonato Italiano 2009/10, que se inicia neste fim de semana, me lembra do estadual do Rio de janeiro. Em suas devidas proporções, é claro, antes que algum corneta se convença do contrário. É uma competição acima de tudo charmosa, mas com um futebol cada vez mais escasso, seja pela perda das maiores constelações, caso de Kaká e Ibrahimovic, para uma liga rival e agora superior, ou pelas péssimas arbitragens que volta e meia protagonizam escândalos.

Mas, se nos anos anteriores a Internazionale foi soberana e merecedora de, pelo menos, três dos quatro títulos conquistados – um veio no tribunal -, a atual temporada promete um equilíbrio maior com o investimento da Juventus, e do amadurecimento dos elencos de Fiorentina, Genoa e Napoli. Sem deixar de lado a Roma, que a princípio começa o campeonato renovada das inúmeras lesões que afastaram, entre outros, Totti e Juan, e o Milan, ainda uma incógnita sob comando de Leonardo.

Longe do muro, alguns pitacos sobre as perspectivas dos principais times na Terra da Bota:

Internazionale
- Se Ibrahimovic, a única baixa considerável no elenco nerazzurri, é um craque que faz diferença, Samuel Eto’o não foge da raia. E com o camaronês vieram ainda o muito bom atacante Diego Milito, Lucio, contratado a custo zero, e o volante Thiago Motta. Além do provável reforço do meia holandês Sneijder. José Mourinho continua com o melhor elenco da Itália em mãos. E com um ego do tamanho de seu currículo.

Time-base: Júlio César; Maicon, Lúcio, Chivu e Zanetti; Muntari, Cambiasso e Thiago Motta; Stankovic (Sneijder); Milito e Eto’o. Técnico: José Mourinho.

Juventus
- Além dos retornos de Cannavaro, ainda contestado por abandonar o barco em 2006, e das contratações de Felipe Melo (R$ 70 milhões) e Diego (R$ 68,8 milhões), a Juventus inicia o Calcio finalmente almejando o caneco. Maior campeã com 27 scudettos – Inter e Milan vêm bem atrás com 17 -, a Velha Senhora conta ainda com uma mudança importante na comissão técnica: o ex-zagueiro Ciro Ferrara foi efetivado no lugar do contestado Claudio Ranieri. Time pronto para render e ser liderado pelo trio brasileiro, em especial Diego, ignorado por Dunga em suas convocações. Mas quem não é...

Time-base: Buffon; Grygera, Cannavaro, Chiellini e Molinaro; Felipe Melo, Marchisio (Sissoko), Camoranesi e Diego; Amauri e Del Piero. Técnico: Ciro Ferrara.

Milan
- A grande desconfiança em cima do Milan não é razão apenas da venda de Kaká, certamente não reposta à altura, ou da aposentadoria de Maldini. A equipe do brasileiro Leonardo fez uma pré-temporada de baixíssimo futebol apresentado, e acumulou quatro derrotas, quatro empates e apenas uma vitória nos nove jogos que disputou mundo afora. Também é para lá de arriscada a aposta de que Ronaldinho irá reencontrar o futebol perdido em algumas boates de Barcelona ou Milão. De bom, a estreia de Thiago Silva, que dará outra cara à defesa junto a Nesta, e a promessa de uma boa temporada para Alexandre Pato.

Time-base: Abbiati; Zambrotta, Nesta (Onyewu), Thiago Silva e Jankulovski; Gattuso, Pirlo e Ambrosini; Ronaldinho; Pato e Huntelaar. Técnico: Leonardo.

Roma
- A Roma chega para a temporada mais fraca do que como terminou. Vendeu Aquilani ao Liverpool e, a 10 dias do fechamento do mercado, não trouxe nenhum grande jogador. Destaque, talvez, para Guberti, que foi um dos melhores da Série B pelo Bari. O clube ainda negocia uma troca entre Julio Baptista por Mancini, Suazo e Burdisso. Acho improvável. A esperança é de que Juan, Totti e companhia não se lesionem com tamanha freqüência como em 2008/2009. Caso contrário, uma vaga na Liga dos Campeões será mais uma utopia do que outra coisa.

Time-base: Doni; Motta, Mexès, Juan e Riise; Taddei, De Rossi, Pizarro e Guberti; Vucinic e Totti. Técnico: Luciano Spalletti.

Fiorentina

- Após Inter e Juventus, a Fiorentina é quem tem o elenco mais homogêneo. Perdeu Felipe Melo, mas repôs com os razoáveis Marchionni e Cristiano Zanetti. Na frente, Gilardino segue fazendo os seus gols. O técnico Cesare Prandelli, elogiado pela mídia, ainda conta com o jovem Jovetic, que pode estourar de vez e dar mais motivos para que a Viola se fixe como a terceira força da Itália nesta temporada.

Time-base: Frey; Comotto, Gamberini, Natali e Pasqual; Kuzmanovic, Montolivo; Marchionni, Mutu e Vargas; Gilardino. Técnico: Cesare Prandelli.

Genoa
- Sem Diego Milito, o Genoa investiu em outros dois argentinos para o ataque: o experiente Crespo e Rodrigo Palácio, que finalmente deixou o Boca Juniors. Thiago Motta, Ferrari e Rubinho também deixaram o clube, o que fez o time-base mudar radicalmente. Mesmo sem o elemento surpresa, acredito que os Grifoni ainda podem incomodar.

Time-base: Amelia; Sokratis, Bocchetti e Moretti; Rossi, Zapater, Kharja e Criscito; Palacio, Crespo e Palladino. Técnico: Gian Piero Gasperini.

Napoli
- Apenas o 12º colocado após bom início na temporada passada, o Napoli resolveu ir às compras. Ainda em março, veio o técnico Roberto Donadoni. E, no mercado, cinco contratações para o time titular: o goleiro De Sanctis, o zagueiro Campagnaro, o ala-direito Zuñiga, o volante Cigarini e o atacante Quagliarella. Sem contar com as permanências de Lavezzi e Hamsik. Com o apoio incondicional em San Paolo, uma briga pelo quarto lugar parece realidade.

Time-base: De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro e Contini; Zúñiga, Gargano, Cigarini, Hamsík e Maggio; Lavezzi e Quagliarella. Técnico: Roberto Donadoni.