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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pitacos sobre a Premier League


Não há como negar que um Cristiano Ronaldo faça enorme diferença de qualidade. Mas a Premier League pode se dar ao luxo de perder o português para o futebol espanhol que continuará sendo a liga número 1. Em organização e nível de futebol jogado. A primeira rodada da temporada 2009/2010 finalmente (que saudade!) aconteceu neste fim-de-semana. E já merece alguns pitacos.

- O bloco dos 4 realmente ganhou a inclusão do Manchester City, que precisa antes definir o time titular e esquema tático. Robinho não tem vaga nos meus 11, embora tenha moral além da conta com Mark Hughes. Mas, numa possível queda de braço com Shaun Wright Phillips, creio que sairá atrás.

- A goleada do Arsenal é surpreendente mais pela baixa expectativa sobre o elenco do que qualquer outra coisa. Os Gunners costumam criar falsas esperanças durante o primeiro turno. Foi assim em 2007/2008, com Hleb, Flamini e Rosicky desequilibrando, quando fizeram 44 pontos nas 19 primeiras rodadas. Agora, contam com um Denílson mais amadurecido e um Arshavin durante toda a temporada. Pouco para quando o time precisar de elenco, apesar do alto nível técnico de seus titulares. Meu palpite? Briga pela última vaga na Liga dos Campeões.

- No melhor estilo Ancelotti, o Chelsea estreou com vitória, digamos, eficiente. Os Blues mantiveram a base e ainda trouxeram o ótimo canhoto Zhirkov. Apesar da perda considerável de outro russo na área técnica, é a minha aposta para ficar com o caneco.

- Federico Macheda mostrou ser muito promissor e decisivo quando o Manchester United precisou de um “extra” para conquistar o tricampeonato. Mas não deve substituir Tevez ou Cristiano Ronaldo à altura. Rooney e Berbatov continuam formando uma dupla muito acima da média. Owen me lembra do gol espetacular na Copa de 1998. Palpite? Briga até o fim pela força de seu elenco e amadurecimento dos “Silvas”. Mas dessa vez perde.

- O Liverpool luta contra um jejum de incríveis 19 anos. É muita pressão acumulada, embora não seja esse o motivo para que não confie muito nos Reds. Xabi Alonso pode ser bem substituído por Aquilani ou até mesmo Lucas. Mas a estreia diante do Tottenham não foi tão promissora assim. E o Campeonato Inglês não permite tantos vacilos como no Brasileirão. Uma dica para Benitez: foque na Champions. Ainda mais com a fama, que costuma fazer valer, de copeiro.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Com o futebol não se brinca

“Vai ver foram os Deuses do Futebol”, pensei, logo após o chutaço de Iniesta – o único do Barcelona que teve o endereço certo –, no ângulo de Cech, aos 47 minutos do segundo tempo. Pareceu-me ser uma explicação plausível depois de dois tempos de domínio tático do Chelsea, mais a equilibrada partida no Camp Nou. Mas com esse maravilhoso esporte não se brinca.

Mesmo com um jogador a mais durante a maior parte da etapa final, os Blues não foram capazes de vencer uma defesa àquela altura fragilizada pelos desfalques de Puyol, Rafa Marquez e Abidal, este último expulso, além da péssima partida de Daniel Alves – suspenso para a finalíssima. É válido afirmar que o dinamarquês Tom Henning prejudicou o Chelsea com ao menos dois pênaltis claros não marcados. Mas se Drogba quisesse, teríamos hoje uma revanche na final.

Essien bem que queria. Logo aos nove, acertou um chutaço, de canhota e de primeira, da entrada da área: 1 a 0. O gol deu tranqüilidade a Guus Hiddink, que pôde armar o time a seu gosto, explorando os contra-ataques. Ao contrário de Pep Guardiola que, sem Henry, adiantou Iniesta, colocou Eto’o aberto nos flancos e, apesar da genialidade do setor ofensivo e da posse de bola de 63%, viu seu time esbarrar na muralha que era a defesa adversária – Alex manteve o ótimo nível de atuações.

Sem a estrutura tática que rendeu a incrível média de 3 gols/jogo na Liga dos Campeões, o Barcelona não mudou muito para a segunda etapa. Em campo, os 11 se tornaram 10, com a expulsão de Abidal. Em postura e posicionamento, um Eto’o centralizado, um Messi fortemente marcado, e um Iniesta incisivo. Se o gol de empate teve seu merecimento contestado, não há como discutir que o herói do Barcelona teria de ser Iniesta.

Vem aí o verdadeiro tira-teima. O que todos queriam: Barcelona x Manchester United. Messi x Cristiano Ronaldo. Dia 27, no Olímpico, de Roma. O futebol agradece.

Chelsea: Cech, Bosingwa, Alex, Terry e Ashley Cole; Essien, Ballack, Anelka, Lampard e Essien; Drogba (Belletti). Técnico: Guus Hiddink.

Barcelona: Valdés, Daniel Alves, Piqué, Touré e Abidal; Busquets (Bojan), Xavi e Keita; Messi, Eto'o (Sylvinho) e Iniesta (Gudjohnsen). Técnico: Josep Guardiola.

sábado, 18 de abril de 2009

Quando a experiência se sobressai

No duelo dos “Wenger’s babies” contra os “Riddink’s seniors”, melhor para os Blues. A grande diferença do jogo de hoje (assistido por 88 mil pessoas no Estádio de Wembley) foi a participação dos homens que podem decidir. Enquanto Fabregas e Van Persie foram omissos, Lampard e Drogba chamaram a responsabilidade para si. Fácil perceber isso nos nomes do marcador. Gol do Arsenal: assistência de Gibbs e gol de Walcott; gols do Chelsea: duas assistências de Lampard e gols de Malouda e Drogba.

O primeiro tempo começou de uma maneira e terminou de outra. Enquanto o Arsenal era inteligente, jogava com calma, cadenciando o jogo; o Chelsea ia mal, com mais posse, mas sem saber o que fazer com a bola. Ballack estava sumido e Anelka tinha que buscar o jogo no meio de campo, para não ser acusado de omisso. Walcott abiu o placar, e os Blues se perderam de vez. Aí, o grande nome deste time apareceu. Lampard fez um lindo lançamento para Malouda, que driblou Eboue, e empatou. O panorama mudou, o Arsenal se perdeu e o Chelsea tomou conta de todos os setores do campo. Os Gunners com muito sacrifício não saíram perdendo na primeira etapa.

O segundo tempo foi bem mais morno, mas com o Chelsea sempre no comando. Fabregas e Van Persie continuavam sumidos pelo lado do Arsenal, que pouco produzia, enquanto que os Blues era levemente superiores. Quando o jogo parecia se encaminhar para a prorrogação, Lampard fez outro belo lançamento, Silvestre falhou, Drogba driblou Fabiansky e fechou o placar: 2 a 1 para o Chelsea. Wenger pode se lamentar de ter tirado Adebayor pouco antes de ter sofrido a virada. Mais uma vitória na conta da experiência do time azul, e também na de Guus Riddink.

Arsenal: Fabiansky, Eboue, Toure, Silvestre, Gibbs; Fabregas, Denílson (Nasri), Walcott, Diaby; Van Persie (Arshavin), Adebayor (Bendtner). Técnico: Arsene Wenger.

Chelsea: Cech, Ivanovic, Terry, Alex, Ashley Cole; Essien, Ballack, Lampard, Malouda; Anelka, Drogba. Técnico: Guus Riddink.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Jogo do Ano

Simplesmente sensacional. O melhor jogo da atual Champions League, e um dos melhores da história da competição. Ficará na memória de todos os que assistiram. Principalmente dos torcedores que foram ao Stamford Bridge, sejam do Chelsea ou do Liverpool. Mais marcante ainda para os Blues, que viram o seu time classificado para as semifinais, com o placar de 4 a 4.

Os capitães das duas equipes não estiveram em campo, e fizeram muita falta. A ausência de Terry na zaga do Chelsea foi muito sentida, principalmente no primeiro tempo, quando a parte defensiva azul parecia perdida. Pelo Liverpool, nem se fala. Como Gerrard faz falta a esse time. Sua técnica, habilidade e, principalmente, a sua liderança são insubstituíveis. Mas fica a pergunta: será que com os dois em campo a história desse jogo seria tão magnífica? Passo.

Logo no início da partida, o Liverpool fez questão de mostrar que não estava morto. Pressionou, Fernando Torres perdeu um gol que não costuma perder, e os Reds abriram o placar em uma falta cobrada com inteligência por Fábio Aurélio. Logo em seguida, Xabi Alonso ampliou de pênalti, botando ainda mais fogo no jogo. Aliás, pênalti bem marcado. Pois agarrões na área são normais, mas não da maneira que este foi.

O Chelsea parecia morto, disposto a entregar um ótimo placar conquistado no jogo de ida. Mas os Blues têm Guus Riddink no banco, e o time voltou outro no segundo tempo. Os papéis se inverteram, e o Chelsea dominou. Drogba empatou em um lance bisonho de Reina. E rapidamente, Alex empatou em uma cobrança de falta violentíssima, lembrando Nelinho quando jogava pelo Cruzeiro - coincidência ou não, as duas camisas são azuis. Depois, Lampard virou o jogo em uma linda jogada do Chelsea.

Tudo resolvido? Para Rafa Benítez, que tirou Fernando Torres, sim (gravíssimo erro do treinador). Mas não para quem estava em campo. Lucas empatou, e Kuyt virou. Nossa! Que jogaço! De tirar o fôlego! O Liverpool ainda tentou, mas para fechar com chave-de-ouro, Lampard fez um golaço e fechou o caixão vermelho: 4 a 4.

Os dois treinadores começaram o jogo de um jeito e terminaram de outro. Rafa armou muito bem, mas errou feio no final; já Riddink começou apático e mudou o rumo da partida no segundo tempo. Quem pôde acompanhar este jogo sabe que o dia 14 de abril de 2009 entrou para a história da Uefa Champions League. Até agora, o Jogo do Ano.

Chelsea: Cech, Ivanovic, Ricardo Carvalho, Alex, Ashley Cole; Essien, Ballack, Lampard, Malouda; Kalou (Anelka), Drogba (Di Santo). Técnico: Guus Riddink.

Liverpool: Reina, Arbeloa (Babel), Carragher, Skrtel, Fábio Aurélio; Mascherano (Riera), Xabi Alonso, Lucas, Benayoun; Kuyt, Fernando Torres (N‘Gog). Técnico: Rafa Benítez.

Por enquanto, sem adversários

Virtualmente classificado graças à goleada no jogo de ida, o Barcelona fez o seu papel em Munique. Sem Henry, poupado, o time se limitou a tocar a bola e gastar o tempo, visivelmente com o freio-de-mão puxado.

O Bayern, já sabendo da dificuldade da tarefa, entrou em campo num ritmo só. Mas esbarrou na má fase de Luca Toni, que tem apenas 11 gols na Bundesliga. O italiano estava ora impedido, ora desperdiçando boas chances. Até que, já no segundo tempo, coube a Ribery, o craque do time, aproveitar ótimo passe de Zé Roberto, balançar na frente de Valdés e marcar um belo gol.

Nada que realmente tenha assustado o Barcelona. Tanto que, após algumas investidas com perigo – Lúcio, como sempre, salvou o Bayern em inúmeras oportunidades –, chegou ao gol de empate: uma troca linda de passes até a bola aparecer na medida para Keita. O volante não perdoou e empatou.

Futebol por futebol, a equipe de Pep Guardiola já superou o incrível time de 2005/2006, que contava com o endiabrado Ronaldinho. Resta saber se Messi, mais maduro, e companhia também irão atingir os incríveis resultados. Até a atual fase da temporada, o Barcelona ainda não encontrou adversários à altura.

Ah, para não ficar no muro, o Barcelona é favorito contra o Chelsea e qualquer time do mundo no momento.

Bayern: Butt, Lell, Lúcio, Demichelis, Lahm; Van Bommel, Ottl, Zé Roberto (Borowski), Sosa (Altintop), Ribery; Toni. Técnico: Jürgen Klinsmann.

Barcelona: Valdes, Daniel Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Keita, Yaya Toure, Xavi, Iniesta (Hleb); Messi, Eto’o. Técnico: Pepe Guardiola.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Girando o Velho Mundo

Vamos fazer uma breve análise das principais ligas européias:

*A Bundesliga é o campeonato mais emocionante. O líder é o Wolfsburgo, de Grafite; e até o quinto colocado, Suttgart, tem chances de ser campeão. A diferença entre um e outro é de apenas seis pontos. Para uma liga que praticamente muda de líder por rodada, isto não é nada. A decepção fica por conta do Werder Bremen, de Diego, que ocupa a décima posição e está longe da zona de classificação para as competições européias.

*Pela Liga Espanhola, o Real Madrid segue na dificílima corrida rumo ao Barcelona. A diferença de líder para vice-líder é de seis pontos, faltando oito rodadas. Gostoso é ver que o time merengue não joga a toalha de jeito nenhum. O que mais empolga na La Liga é a disputa para ver quem jogará a próxima Champions League. O Sevilla, "isolado" na terceira colocação, já está garantido. A briga está entre Valência, Villareal, Atlético de Madrid, Málaga e La Coruña. Pela parte inferior da tabela, fica a torcida para a permanência do Real Bétis e do Athletic Bilbao na Primeira Divisão.

*A Premier League já tem os seus quatro classificados para a próxima Champions League - não precisa nem dizer quais são os times. A dúvida é para ver quem leva o caneco. A diferença do líder, Manchester United, para o vice-líder, Liverpool, é de apenas um ponto. Mas vale lembrar que os Red Devils têm um ponto a menos. O Chelsea, na terceira colocação, até sonha, mas as chances são remotas. As decepções ficam por conta do Newcastle e do Manchester City. O primeiro por ser de tradição e estar muito próximo do rebaixamento. E o City pelo seu mal planejamento, e o seu péssimo técnico. É um time bilionário, mas que não teve inteligência na hora das contratações.

*Já o Calcio tem o seu campeão praticamente definido. É a Internazionale do craque Ibrahimovic. São dez pontos de diferença para o segundo colocado, a Juve. Este campeonato também tem suas atenções voltadas para ver quem dissputará a próxima Champions. Duas vagas já estão certas - Inter e Juve -. De resto, são quatro equipes lutando por duas vagas: Milan, Genoa, Fiorentina e Roma. O time da capital é o pior colocado deste grupo, principalmente pelo seu péssimo início de campeonato. O Milan está quase lá, e, pela tradição, acho que o Genoa fica pelo caminho.

*E na Liga Francesa, os tempos de soberania e títulos com "n" rodadas de antecipação do Lyon acabaram. O time de Juninho ainda tem grandes chances de levar, mas nesta temporada será bem mais difícil. O atual líder é o Olympique de Marseille, e a diferença para o sexto colocado, PSG, é de cinco pontos. Difícil apostar em um ou outro candidato. Mas fica a questão sobre o maior jogador da história do Lyon, Juninho. Será que a sua última temporada no Lyonnais será sem título?

**Muita emoção em todas as Ligas. Cada uma ao seu modo, seja na disputa pelo título, por competições européias ou na luta pela permanência na divisão principal. Faça suas apostas! As retas finais estão aí!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Na conta dele


Nem Ivanovic, autor de dois importantíssimos gols, nem Drogba, que selou a vitória por 3 a 1 sobre o Liverpool, em Anfield, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões. O cara do Chelsea se chama Guus Hiddink, técnico vencedor, sem medo, e que mudou a cara do time após a saída de Felipão.

Nesta quarta, até começou atrás do placar – Torres marcou para o Liverpool e deu a impressão de que os Reds iriam se impor dentro de casa. Só que Rafa Benítez não contava com a marcação individual de Essien em Gerrard, cérebro do time. Drogba e Lampard, no entanto, fizeram péssimas partidas. O que só prova que os resultados recentes do Chelsea devem ser creditados ao conjunto. Guus Hiddink e sua companhia já colocaram as duas mãos na vaga. Falta só levantar, na próxima terça, em Stamford Bridge.

PS: Fábio Aurélio e Lucas não fizeram jus aos pedidos de convocação para a seleção brasileira. E foram merecidamente substituídos por Rafa Benítez – embora o espanhol tenha trocado seis por meia dúzia, o que também explica o péssimo rendimento do time no segundo tempo. Alex, no entanto, já assumiu a vaga de titular no lugar do consagrado Ricardo Carvalho, mas foi ignorado por Dunga no último mês. Que coisa, hein?

The show man

O Barcelona é o show man da Liga dos Campeões. O que já estava provado e não era novidade, foi apenas ratificado nesta quarta, no Camp Nou. Em menos de 45 minutos, o time da Catalunha fez 4 a 0 (Messi, duas vezes, Eto’o e Henry), e abriu ainda mais a cicatriz do Bayern de Munique. Sem Lucio, que também não atuou na goleada sofrida para o Wolfsburg, restou aos bávaros se contentarem com a eliminação, ainda que precoce, para o melhor time da Liga.

É bem possível que o monopólio dos ingleses tenham um fim nesta temporada. O Barcelona, com o melhor trio ofensivo do mundo, já fez sua parte. Por sinal, Cristiano Ronaldo só atrapalhou o Manchester United na terça. Enquanto Messi decidiu mais uma vez. Alguém tem alguma dúvida sobre quem é o atual melhor do mundo?