quarta-feira, 29 de abril de 2009

Centro Sportivo Alagoano

O momento do CSA, algoz do Santos, pela estudante de jornalismo de Maceió, Gabriela Moreira.

Uma das maiores zebras da Copa do Brasil é azul e branca, vem do nordeste e atende pelo nome de Centro Sportivo Alagoano, ou simplesmente CSA.

Em Alagoas, a equipe briga para não ser rebaixada. No domingo, passou perto. Em um jogo que seus torcedores consideraram um teste para cardíacos, o Azulão do Mutange fez os dois gols que precisava nos cinco minutos finais da partida, ganhando do Murici por 3x2. Mas essa vitória não garantiu sua permanência na primeira divisão do estadual. Ainda lhe falta muito mais. Um duelo de gigantes contra o seu maior inimigo, o CRB, e mais uma combinação de resultados.

Ah.. mas se no campeonato estadual a situação azulina é delicada, na Copa do Brasil é só festa. O CSA ainda não perdeu na competição. Até agora, um empate e três vitórias, incluindo o inesquecível 1x0, na Vila Belmiro, contra o Santos. E o próximo desafio da equipe alagoana será o Coritiba, que vem embalado. Venceu o Clássico Atletiba e adiou a decisão do Campeonato Paranaense para o próximo domingo. Não será nada fácil vencer o time comandado por René Simões, mas o CSA vem que vem, de mansinho...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Não tão distantes

Não estamos tão longe do futebol europeu. O pouco tempo de treinadores pelos clubes grandes não é mais só nosso privilégio.

No Velho Mundo, o primeiro grande caso da temporada foi o de Felipão no Chelsea. E ,ontem, Klinsmann foi demitido do Bayern de Munique por seus resultados medíocres na temporada, entre eles as goleadas para o Wolfsburgo e Barcelona. Casos como o de Sir. Ferguson e Arsene Wenger são tão raros como o de Muricy Ramalho é por aqui. Ninguém mais tem a segurança de que o seu contrato será cumprido até o fim. Só os bons resultados são a garantia. Às vezes, nem isso.


Felipão esteve até cotado para assumir o Bayern, mas agora só se for para a temporada que vem. O que pode acontecer, pois o treinador que foi contratado, Jupp Heynckes, só fica nas últimas cinco rodadas da Bundesliga.Não seria uma má idéia para Luiz Felipe. Treinaria mais um grande europeu, além de ir morar em uma bela cidade.

Outro caso parecido com vários nossos é o do treinador do Olympique de Marseille, líder da League 1. Com cinco pontos de vantagem (e um jogo a mais) do que o Bordeaux, Eric Gerets afirmou que vai sair no término da temporada, independente de ser campeão ou não. Eric vai trabalhar no Al Hilal Riyad, onde receberá 200 mil euros por mês. Tentador, não? O dinheiro árabe seduz não só por aqui.

É entre essas e outras, que vemos que não somos tão diferentes.

domingo, 26 de abril de 2009

Os pecados do Santos

Como o Arquibaldos está desacreditado quanto à uma vitória do Santos por três gols de diferença sobre o Corinthians, no próximo domingo, no Pacaembu, resolvi listar os pecados cometidos pelo bom time de Vagner Mancini durante toda a semana. Por sinal, de quarta a domingo tudo o que era sonho virou pesadelo na Vila Belmiro. E dessa vez nem a presença do Rei Pelé pôde salvar o Alvinegro Praiano...

Atuação de Ronaldo Fenômeno e do Corinthians de Mano à parte, vamos às infrações:

1. Excesso de confiança nem sempre é bom. E aí não há o que justificar as presenças de Lucio Flavio e Roni no time titular na última quarta-feira, contra o CSA.

2. Kleber Pereira foi merecidamente um dos artilheiros do Brasileirão, mas também viveu fases distintas dentro da própria competição. Nada que explique os gols perdidos na Vila, quarta e domingo, palco de inúmeros tentos em 2008.

3. Rivalidade é importante para o torcedor, clube, jogadores, mas o Santos não conquistará uma vaga na Libertadores via Paulistão. E, convenhamos, um 0 a 0 fora de casa também não é um resultado maravilhoso. O Peixe exaltou a final além da conta e vai acabar pagando o pato.

4. A dupla Pará e Germano na volância nunca foi o ideal para um time equilibrado também na marcação. O Corinthians, que está longe de ser só o Ronaldo, aproveitou-se do fato e, na base do contra-ataque, matou o jogo.

5. A defesa em linha deixou Júnior Amorim livre para, depois de se enrolar com a bola, fazer o gol da classificação do CSA, na última quarta. No domingo, foi a vez do Fenômeno fazer a festa. Alguma lição Mancini deve ter aprendido.

6. Fábio Costa, “O goleiro que não falha em decisões”, se posicionou muitíssimo mal no gol de Chicão. E, genialidade do Fenômeno à parte, estava adiantado além da conta no terceiro do Corinthians. Erros em finais não costumam ser perdoados.

Quem disse que Santo não comete pecado?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Barcelona que fala “tchê”


Fundado em dezembro de 2000 e traduzido de forma literal, o Barcelona Futebol Clube, do Rio de Janeiro, é uma réplica de seu homônimo, inclusive no uniforme. Embora não possua um décimo da representatividade do gigante espanhol e que, muito provavelmente, precisaria de algumas décadas de glórias para poder ser comparado aos Culés. Estética à parte, é um pouco abaixo no mapa, mais precisamente em Porto Alegre, onde reside a maior esperança de gols na temporada, tal qual a máquina azul-grená: trata-se do Sport Club Internacional.

É bem verdade que o Colorado disputou, até então no ano, apenas o Campeonato Gaúcho – vencido de forma brilhante e invicta – e as duas primeiras fases da Copa do Brasil. De adversários que disputarão a Série A, apenas o Grêmio está incluso na lista de vítimas da equipe do técnico Tite, que não terá de encarar o Chelsea nas duas próximas semanas pelas semifinais da Liga dos Campeões, por exemplo.

O que mais me despertou a atenção, no entanto, é a média superior a três gols/jogo em toda a temporada: 3,04, contra “apenas” 2,69 gols/jogo do Barcelona. Muito, claro, graças ao poderoso trio Nilmar-Taison-Alecsandro, este último reserva, responsáveis por 46 dos 76 gols colorados na temporada – como exemplo da grandiosidade dos números, Corinthians e Santos, finalistas do Paulista, somam 73. Todos regidos pelo maestro D’Alessandro, que definitivamente reencontrou o seu futebol no Beira-Rio. Ainda que com Riquelme, uma convocação para a seleção de Maradona seria apenas o reconhecimento de um trabalho genial e eficiente.

Outro ponto positivo é o equilíbrio tão preservado por Tite em suas coletivas. Se o ataque tem beirado a perfeição, a defesa mantém uma média de 0,64 gols sofridos por jogo (16 em 25 partidas), enquanto o Barcelona, com praticamente o dobro de partidas, possuí média de 0,80 (42 em 52 jogos). Quando se fala em aproveitamento, então, a vantagem do Inter é ainda maior: 88% dos pontos conquistados, contra 80,1% do outro lado do mundo.

Diferentemente de 2007, o Colorado conta também a seu favor opções no banco de reservas que o deixam como favorito à qualquer competição no ano. Sorondo, Marcelo Cordeiro, Rosinei, Andrézinho, Giuliano, Alecsandro e Walter teriam vaga em alguns clubes da Primeira Divisão em 2009.

É notório que os estaduais, todos inchados, pouco contribuem à competitividade. Assim como o Campeonato Paulista possuí times de melhor qualidade em relação ao Gaúcho. Mas, no futebol jogado, não são muitos os times que têm o privilégio de serem comparados ao Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi, Henry e Eto’o. O Internacional é um deles – eu diria o único das Américas.

Os adjetivos ficam por conta de vocês.

Em tempo: se o Inter levou a melhor em 2006 com Elder Granja, Rubens Cardoso e Wellington Monteiro, por que não venceria num hipotético confronto em 2009? A propósito, o Barcelona é muito mais time, mas nada impede que o feito seja repetido.

As primeiras zebras da Copa do Brasil

E já apareceram as primeiras zebras da Copa do Brasil. Uma vem de Alagoas e a outra de Campos-RJ. São elas o Americano e o CSA, que eliminaram Botafogo e Santos, respectivamente. Me desculpem o termo, mas é uma vergonha para times deste calibre caírem tão rapidamente em uma competição que é passaporte para a Libertadores. Principalmente o Santos. Só por que tem uma final de Campeonato Paulista no fim-de-semana, vai começar com parte das principais peças no banco? Meu amigo, o desgaste é mínimo. Vale lembrar que o jogo de quarta foi na Vila Belmiro, mesmo lugar onde será o jogo de domingo. E aí fica a pergunta no ar: é melhor enfrentar o Corinthians um pouco mais cansado e com os deveres cumpridos, ou chegar à uma decisão de cabeça inchada por ter sido eliminado pelo CSA? As respostas à essas perguntas virão nos próximos domingos.

E tem mais. No fim das contas, é mais importante ser campeão paulista do que da Copa do Brasil? Como já dito, a competição nacional é passaporte para a Libertadores. E o Paulista? É passaporte pra quê? Também vale destacar a penca de gols desperdiçados pelo alvinegro, principalmente por Kléber Pereira, que entrou no decorrer do jogo.


Já o Botafogo pode reclamar da má sorte. Jogou com o time principal nas duas partidas, mas apareceu o tal do azar. Perdeu em Campos por 2 a 1. No jogo de volta, não foi bem, mas foi melhor do que o Americano. Estava sendo eliminado até os 45 do segundo tempo, quando Maicosuel fez uma linda jogada e marcou um golaço: 2 a 1 para o Bota. Na disputa de pênaltis, Maicosuel foi o único a usar da paradinha (essa foi absurda, por sinal) e foi o único a errar; bola na trave.

O grau dessa derrota ainda não dá pra dizer. Mas na partida seguinte, final da Taça Rio, deu para perceber um certo abatimento na equipe. Se foi total culpa da eliminação é difícil dizer. Mas uma certa diferença fez sim. E agora na final? Também será sentida?


Confira os confrontos das oitavas-de-final:

Vasco x Icasa
Atlético-MG x Vitória

Corinthians x Atlético-PR
Fluminense x Goiás

Americano x Ponte Preta
Coritiba x CSA

Flamengo x Fortaleza
Internacional x Náutico

Será que teremos mais uma zebra simpática nas quartas-de-final? CSA e Icasa são os principais candidatos. Aguardemos os próximos capítulos da imprevisível Copa do Brasil.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O grupo que honra


O relógio marcava 29 minutos do segundo tempo quando Vandinho empurrou Jara e fez o segundo do Sport, na pulsante Ilha do Retiro. Gol que classificou o Rubro-Negro merecidamente pela primeira vez na história para as oitavas-de-final da Libertadores e, de quebra, transformou a partida entre Colo Colo e Palmeiras, em Santiago, numa verdadeira decisão.

Os chilenos, que já venceram no Palestra Itália, têm a vantagem do empate e as más atuações do desequilibrado Palmeiras a seu favor, que ainda terá de se virar sem jogadores importantes para o grupo, como Edmílson e Sandro Silva.

Vale ressaltar que atual campeã LDU ainda depende de um milagre para continuar na competição. Algo como uma goleada sobre o Sport, em casa, e um placar elástico também em Santiago, de preferência dos mandantes, que possuem um saldo a mais do que os paulsitas (5 a 4). Por sinal, algo que possa ser o diferencial num desempate contra o próprio Sport, caso não resista à altitude de Quito.

Diante de tanta previsibilidade nesta segunda fase e líderes com quase 15 pontos, o Grupo 1 honra a denominação de “Grupo da Morte”. A quarta-feira promete. Apenas mais uma de tantas épicas que virão por aí.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Hora de juntar o cacos

Fluminense: Fernando Henrique, Gabriel, Thiago Silva, Luiz Alberto e Júnior César; Ygor, Arouca, Conca e Thiago Neves; Cícero (Dodô) e Washington; Técnico: Renato Gaúcho.

Do brilhante time que conquistou o vice-campeonato da Libertadores, restaram apenas quatro. Do quarteto remanescente, um deles (Thiago Neves) saiu, voltou e em julho já não estará mais no clube – portanto restarão apenas três.

Como pode um time tão sólido e consistente se dissolver em menos de um ano? Para alguns, o desmanche é visto como um processo inevitável, contínuo e natural. Para mim, é o oposto daquilo que se pode chamar de planejamento futebolístico.

De julho do ano passado para cá, houve mudanças drásticas. As coloridas festas nas arquibancadas do Maracanã foram substituídas pelo abatimento em função da perda do tão sonhado título continental. A torcida se desiludiu, o time se desmantelou por completo e apenas lutou para não ser rebaixado no Brasileirão.

Credenciado por ter livrado o tricolor da degola, René Simões foi mantido no cargo para 2009. E, na contramão da crise financeira que assola o mundo, a patrocinadora do clube continuou investindo pesado.

Mas, ao contrário do ano passado, o time não se encaixou. René não resistiu à pressão e deu lugar a Parreira (que também não conseguiu dar padrão tático à equipe). E os maus resultados neste início de temporada evidenciaram a crise existente nas Laranjeiras em razão das más escolhas na montagem do elenco tricolor.

Contratados a peso de ouro, Leandro (agora entendo a facilidade com que Luxemburgo o liberou), Leandro Amaral e Diguinho não vingaram. E apostas como Leandro Domingues, Xandão e Roger já deixaram o clube. Desta forma, a solução encontrada pela diretoria foi contratar Fred e Thiago Neves, como forma de 'mostrar serviço' à torcida.

Em menos de um ano, o Flu perdeu a base de seu time, sua identidade, seu encanto. O tricolor destruiu aquilo que havia construído. E a reconstrução não veio. É preciso corrigir os erros enquanto há tempo. É hora de juntar os cacos. O momento é delicado, mas apostar na boa garotada de Xerém, realizar contratações criteriosas (que realmente irão agregar valor ao elenco) e se desprender de soluções ilusórias ainda são as melhores saídas para sair do marasmo.